Rob a amava, sem dúvida nenhuma.
Rosa era bonita, mas não chegava a ser linda. Ele sempre acreditou que mulheres bonitas demais davam trabalho demais. Ela era dona de um sorriso inesquecível, um olhar profundo, um perfume suave e uma delicadeza que só uma Rosa possui.
Ela era inteligente, tinha personalidade forte, mas nunca o subestimava e nem se achava superior a ele.
Na cama, ela era puro romantismo, seus gemidos de prazer eram embalados de “Rob, te amo”.
Ela era amiga e companheira, sempre pronta a ajudar, socorrer, ser útil.
Ela tinha ótimos dotes culinários, seria uma excelente dona-de-casa.
Rosa era perfeita e, por isso, ele amava-a.
Conheceu a moça a quatro anos, na aula de Sociologia. Enquanto os maurícios e patrícias debatiam sobre desigualdade social, Welfare State, Engels, Weber, Marx e outros assuntos que estavam, na realidade, pouco se lixando, ele percebeu o olhar entediado de Rosa, deslocada no grupo. Como ele também estava entediado, resolver puxar assunto. De fato, puxou assunto, foram ao cinema, visitaram uma exposição, retornaram ao cinema, deram uns amassos no parque, foram de novo ao cinema, deram mais uns amassos na festa da Claúdia, estudaram juntos, viajaram para Ilha Bela, onde deram muitos amassos, começaram a namorar, muitos amassos, poucas brigas, e por último, noivaram. Era o casal perfeito. Eles iriam casar, curtir muito a vida de casados, depois planejariam dois ou três filhos. Tudo perfeito.
Rob se considerava um homem inteligente que sabia separar as coisas muito bem. Sabia que Rosa era a mulher da vida dele. Eventualmente, ele encontrava algumas outras mulheres, nada sério, é claro... Casos para somente para uma noite: Julia, Natália, Martina, Solange, Silmara, Luana, Clara, Amália, Bete, Ângela, Dani, Lúcia, Gabriela, Tamires, Renata, Flávia, Helena... E tantas outras que não se recordava o nome.
Mas é claro, nenhuma chegava aos pés da sua Rosa.
Quando deixava as outras, sentia vontade de ver Rosa. Todas as vezes que tinha as outras, sabia que a única que o faria feliz era Rosa.
A mais recente foi Marina. Conheceu-a por intermédio de seu primo. Linda, independente, ousada. Nunca havia sido comandado por uma mulher. Naquela noite, Marina ficou por cima. Enquanto ele apenas a observava, como um mero coadjuvante, ela protagonizava brilhantemente em cima da cama, em cima dele. Ela decidiu o momento em que Rob deveria atingir seu êxtase. Ela decidiu quando era hora de parar. Ela também decidiu a hora de ir embora.
Ele sempre acreditou que mulheres bonitas demais davam trabalho demais. Não estava errado.
Voltou, como sempre, para delicadeza de Rosa, pois a amava. Sem dúvida nenhuma.
